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Estar presente à distância é um dos temas do momento. O trabalho remoto veio para ficar e as empresas estão a criar soluções para se manterem próximas dos seus colaboradores. Ângela Mucha – Talent Management & IT Recruitment na Adentis, assinou um texto no Dinheiro Vivo com dicas relevantes sobre este assunto.

Em março de 2020, mesmo antes da decisão oficial por parte do governo perante a situação pandémica, a minha empresa optou por dar início ao trabalho remoto. Inicialmente, de alguma forma todos sentimos alívio não só pela nossa saúde, como também satisfação pelo simples facto de podermos acordar uma hora mais tarde, ou partilharmos mais tempo com a nossa família. Contudo, os meses passaram e tivemos que adaptar não só o espaço físico que nos rodeava, como também o psicológico para aquilo que viria a ser a nosso dia a dia por tempo indeterminado e não opcional.

Quando questionados, conseguimos rapidamente identificar inúmeros benefícios associados ao trabalho remoto, porém, no cenário pandémico estará este a funcionar igual e positivamente para todos? Mais de um ano após o início desse novo normal, torna-se importante fazer um balanço e analisar esta realidade. Ajudará as empresas a preparar novas formas de organização de trabalho.

Tal como descreveu Aristóteles “o Homem é por natureza um animal social”, contudo, contranatura, vimo-nos obrigados a separar do colega de secretária, perdemos o convívio da pausa matinal para o café e da esplanada no final do dia. As interações sociais (pessoais e profissionais) ficaram reduzidas a notificações numa janela no canto do ecrã do computador, ou a aplicações de videoconferência, perdendo-se assim abruptamente todo o calor humano.

Aliado a esta situação, quando confinados fisicamente, ganhámos o superpoder da liberdade mental excessiva. Consequentemente, para além de procrastinador tornou-se desgastante e exaustivo, levando-nos ao aumento do risco de stress, ansiedade, depressão ou até mesmo burnout.

Embora a saúde mental seja um assunto muito pessoal, os colaboradores não deverão ter que lidar com isso sozinhos. Esta é uma questão que não só tem consequências para estes, como também para as próprias empresas, uma vez que impacta diretamente a produtividade e a motivação dos mesmos. Assim sendo, de que forma as organizações e os seus líderes conseguirão apoiar as suas equipas?

Haverá imensas soluções que cada empresa possa disponibilizar de acordo com a sua realidade, porém destaco quatro aspetos que podem ser relevantes:

 

  1. Promover a proximidade entre o líder e a equipa

O colaborador deve ser o foco independentemente do formato remoto ou não, no entanto, nesta fase torna-se ainda mais importante o conhecimento das suas necessidades, não só pela criação de medidas e incentivos que vão ao encontro das mesmas, como também pelo envolvimento na cultura e na missão da empresa.

Para além disso, a proximidade com uma liderança forte e um discurso transparente perante os seus colaboradores, demonstra um maior compromisso, produtividade e saúde emocional.

 

  1. Sessões de aconselhamento e coaching

Existe a necessidade de combater o estigma ainda presente de quem procura ajuda para lidar com o sofrimento psicológico.

Deste modo, as empresas devem ser um facilitador no acesso a profissionais de saúde/terapeutas, bem como na criação de equipas internas especializadas em saúde mental, cujo principal papel é o acompanhamento mais próximo dos colaboradores.

 

  1. Acesso a recursos online que promovem o bem-estar

O acesso a apps e outros recursos online desenvolvidos para reduzir o stress e a ansiedade, poderá promover não só a saúde mental, como também possibilitar uma mudança comportamental positiva. Alimentação saudável, sono, meditação/mindfulness e exercício físico são alguns dos exemplos.

A partilha de informações como conquistas e desafios através de portais internos ou redes sociais, bem como eventos online de modo a promover dinâmicas existentes no passado que acabaram por se perder com o distanciamento físico, proporcionarão igualmente um maior envolvimento por parte do colaborador.

 

  1. Flexibilidade e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal

O conceito de equilíbrio entre a vida profissional e pessoal varia e não será o mesmo para todos os colaboradores, deste modo, cabe às empresas ajudar a encontrar esse mesmo ponto de equilíbrio de forma individualizada.

Quando a nossa casa se torna o escritório, há uma maior dificuldade na separação mental destes dois espaços e, como resultado, torna-se imprescindível realizar pausas, bem como reservar horário para atividades sociais e familiares. Incentivar horários flexíveis, reduzir a semana de trabalho e dias de compensação/extra, são algumas das medidas já implementadas por várias empresas e que demonstram uma maior motivação e dedicação.

Ainda com o peso da pandemia, não é simples afirmar qual será o caminho certo, pois cada empresa deverá analisar as vantagens e desvantagens associadas a qualquer decisão. Todavia, talvez seja importante retirar o peso que as palavras “objetivos” e “resultados” acarretam e tentar balancear com o bem-estar e com o que realmente nos completa, pois só deste modo, o colaborador vai conseguir adaptar a vida profissional à sua vida pessoal, e não o contrário.