70% dos projetos de TI falham: o que fazer para não integrar esta estatística

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09/11/2021
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Rodrigo Costa, Scrum & Change Manager na Adentis, assinou o artigo “70% dos projetos de TI falham: o que fazer para não integrar esta estatística?” publicado na revista Exame Informática número 317 relativa a novembro 2021 e online. Para ler de em seguida.

Segundo notícias divulgadas nos últimos meses, Portugal continua a ser um dos principais destinos de empresas de tecnologia, sendo este um dos segmentos da economia que mais tem vindo a crescer. Estas seriam excelentes informações para todos; contudo, as estatísticas setoriais indicam que 70% dos projetos nesta área falham. É um número alto, mas se 70% lhe soar alarmista, é possível ter uma ótica mais “otimista” ao considerarmos que, entre as empresas mais maduras da Europa, 30% dos seus projetos não alcança os objetivos, 43% ultrapassa os custos orçamentados e 50% são entregues com atraso.

Se há um vilão nesta história ele chama-se VUCA, um acrónimo para Volatility, Uncertainty, Complexity and Ambiquity. VUCA descreve um cenário no qual: i) existe pouca clareza sobre as informações; ii) onde a variedade e a complexidade dos fatores envolvidos dificulta a tomada de decisão; iii) a incerteza é inerente à capacidade de prever cenários futuros e tomar decisões e iv) a volatilidade é a instabilidade dos cenários e a velocidade da mudança. Diante do VUCA, é fácil perceber como o planeamento tem pouca capacidade de resposta para cada uma destas características.

Bem… se o planeamento tende a ser pouco efetivo e responsivo para lidar com o VUCA, que impacta tão fortemente os projetos, que resposta podemos dar a esta trágica estatística? Contar com a sorte ou abraçar e a gestão de mudança.

É provável que esteja a perguntar-se: o que é esta tal gestão de mudança? A gestão de mudança é uma abordagem estruturada para lidar com o VUCA. Quando o planeamento falha diante da imprevisibilidade, a gestão de mudança oferece capacidade de reação e recuperação.

E agora a sua próxima pergunta deve ser algo como: o que faz a gestão de mudança distinguir-se das outras iniciativas de gestão de projetos? Excelente questão. Fico feliz que tenha perguntado! Existem diversas ferramentas e abordagens para a gestão de mudança, mas todas têm em comum o foco nos dois dos fatores mais críticos para o sucesso de projetos: comunicação e pessoas. Projetos, inovação e – para o espanto de muitos – também a tecnologia são feitos por pessoas, com pessoas e para pessoas. Um bom planeamento só se torna numa boa execução através da ação de pessoas. Portanto, é necessário que as pessoas envolvidas nos projetos sejam apoiadas ao longo das incertezas, ambiguidades e volatilidades do projeto. E, como estamos a falar de pessoas, estamos invariavelmente a falar de perceções, divergências, expetativas e necessidades de alinhamento, ou seja, estamos a falar de comunicação.

O primeiro passo para não fazer parte desta trágica estatística de fracasso é passar a considerar a comunicação e as pessoas como prioridades dos seus projetos. Ainda melhor é integrar a gestão de mudança no seu planeamento e processos.

Espero que sua empresa esteja a aproveitar esta onda de crescimento e expansão de tecnologia e serviços em Portugal e, acima de tudo, espero que você consiga trazer gestão de mudança para sua realidade e, assim, contribuir com o número de projetos de sucesso!